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Adolescencia Latinoamericana
ISSN 1414-7130 versión impresa

 


Adolesc. Latinoam. v.2 n.2 Porto Alegre mar. 2001

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Como citar este artículo

Novas perspectivas de gênero em saúde

 

Daniel Korin*

 

 

Resumo
O autor discute as novas perspectivas sobre gênero que agora se concentram no sexo masculino, já que o sexo feminino foi objeto de discussão nas últimas décadas. O conceito de masculinidade tradicional tem ocasionado mal estar e sofrimento a muitos homens, inclusive nas dificuldades relacionadas com a saúde. Urge portanto uma redefinição.
Conceitua gênero e discorre sobre as perspectivas de gênero em saúde. Descreve a masculinidade hegemônica e como se faz a construção social do homem, o aprendizado de masculinidade e suas relações com a saúde. Considera a família e o gênero e as novas perspectivas de envolvimento paterno. Delineia as ações para o futuro e define os novos paradigmas.
Unitermos:
Adolesc Latinoam 2 (2); Adolescência e gênero; sexo masculino; novos conceitos de masculinidade.

 

 

Introdução

Vivemos num período de tumulto e transformação, no qual, em todo o mundo, as pessoas se definem, questionam e redefinem seu sentido de identidade – nacional, étnica, religiosa/espiritual, política, familiar, sexual e pessoal. Por muito tempo, mudanças radicais em conceitos foram idealizadas e concebidas, levando-se em conta barreiras muito específicas. Assim, muitas pessoas também estão se liberando de velhas tiranias que vão desde governos repressores até estereótipos, segregação.

Entre as conclusões e recomendações da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (O Cairo, 1994), ratificada na Quarta Conferência Mundial da Mulher (Beijing, 1995), assinalou-se que "os homens desempenham um papel importante para que seja obtida a igualdade de gênero, pois, na maioria das sociedades êles exercem um poder preponderante em quase todos os aspectos da vida, desde as decisões em relação ao tamanho da família a todo o tipo de decisão política e programática".

Até há pouco, considerava-se que as discussões sobre gênero referiam-se exclusivamente a assuntos relacionados com as mulheres, ou seja, ao questionamento das definições fixas e restritivas da feminilidade. As últimas décadas deste século foram testemunhas da intensa atividade dos movimentos das mulheres, que ocasionaram grandes mudanças em diversos campos, inclusive no da Saúde. O movimento feminista deu importante contribuição, pondo em discussão a questão dos gêneros, especialmente a desigualdade entre os mesmos.

Não houve, entretanto, um desenvolvimento paralelo entre os homens. Um muro de silêncio e invisibilidade (Kimmel & Messner, 1989; Korin, 1996) impediu que se enxergassem as conseqüências da masculinidade tradicional e se notasse a existência de mal-estar e sofrimentos nos homens, inclusive os que implicam na sua saúde. Entretanto, diversos grupos de homens nas Américas, Europa, Austrália e Nova Zelândia estão trabalhando, há algum tempo, na tarefa de romper este silêncio e dirigirem-se a um exercício saudável da masculinidade. Organizações como CANTERA (Nicarágua), CORIAC (Coletivo de Homens por Relações Igualitárias, México, DF), FLACSO (Chile), COVIMA (Contra a Violência Masculina (Madri), os Homens de Sevilha, entre outras, estão envolvidas nos desafios da identidade masculina e ao alcance da igualdade de gêneros (ver Referências e Recursos).

O tema deve interessar-nos como pediatras, em virtude da habitual atenção dirigida ao desenvolvimento das crianças e adolescentes e nas ações destinadas a obter o máximo potencial humano, incluindo fazer com que atinjam a vida adulta e a idade avançada no melhor estado de saúde física e mental possível. Isto nos dá oportunidade de facilitar o desenvolvimento saudável de nossos pacientes e prevenir os efeitos nocivos de modelos estereotipados. Compartilhamos um conceito ecológico da Saúde na abordagem dos problemas da Saúde comunitária e, historicamente, lutamos por causas (nem sempre muito populares ou com ausência de resistência) que promovam esse potencial humano e de saúde no indivíduo, na família e na comunidade.

 

Conceito

Erroneamente, usa-se sexo e gênero como sinônimos. Sexo refere-se à distinção biológica entre homem e mulher. No entanto, gênero compreende a série de significados culturais atribuídos a essas diferenças biológicas. Refere-se aos atributos, funções e relações que transcendem o biológico/reprodutivo e que, construídos social e culturalmente, são atribuídos aos sexos para justificar diferenças e relações de poder/opressão entre os mesmos. É importante assinalar que o gênero varia espacialmente (de uma cultura a outra), temporalmente (em uma mesma cultura há diferentes tempos históricos) e longitudinalmente ( ao longo da vida de um indivíduo).

Bonito Mendez (1998) explica, sucintamente, as diferenças que existem entre os diversos movimentos dos homens. Diferentemente do que ocorreu no movimento da saúde das mulheres, que surgiu a partir da experiência de opressão e da diferença de gêneros, o dos homens foi mais focalizado na genitalidade e na vida sexual. É verdade que existem homens oprimidos, porém, a opressão não está determinada pela qualidade dos homens e sim por outros fatores, tais como a desigualdade econômica, a discriminação e o racismo, a orientação sexual, etc. Na realidade, foram principalmente homens que criaram e mantiveram o sistema de saúde.

Kimmel (1996) destaca a importância de abrir o espaço, examinar as masculinidades e ver o contexto pelo prisma do gênero. Observar, assim, a vida dos homens nos permite considerar o impacto que diversos eventos econômicos, políticos, sociais, culturais e literários tem sobre os homens e sobre as masculinidades. Da mesma forma, isto possibilita explorar o milagre de uma visão unitária da masculinidade sob a forma de um arco íris de distintas cores, texturas e sombras.

 

Gênero e saúde

Perspectiva de gênero

A perspectiva ecológica de Bronfenbrenner (1986, 1987) reconhece o grau em que as condutas e os valores são influenciados diretamente, ou não, por aspectos dos diversos contextos onde estão incluídas as pessoas, suas famílias e suas comunidades. Neste sentido, para compreender os processos de desenvolvimento humano, é necessário entender a interação entre os fatores biológicos e as influências socioculturais que determinam as diferenças entre os sexos.

Gênero é um aspecto raramente mencionado na medicina e em outras disciplinas da Saúde. Em função das mudanças anteriormente mencionadas (em particular os avanços obtidos pelo movimento da mulher e pelo movimento de homossexuais e lésbicas), homens e mulheres enfrentam a inviabilidade da articulação rígida da masculinidade e a crescente impossibilidade dos homens para acatá-la (Kimmel, 1995; Kaufman, 1989; Korin, 1990).

 

Masculinidade hegemônica

Existe um modelo normativo ou "hegemônico" de masculinidade aceito por homens e mulheres, que determina relações desiguais entre os gêneros e que cada vez mais se manifestam por uma variedade de respostas negativas entre os homens, tais como tensão, mal-estar, conflito e repúdio.

Esse modelo é produto de ações e atitudes que, paradoxalmente, negam e se opõem a outros valores vitais para a convivência, como são a ética, a solidariedade, o reconhecimento mútuo e o respeito a vida, a individualidade e a diversidade humana. Superar este modelo representa, em parte, depor o ditador que muitos homens trazem dentro deles. Para atingir a igualdade de gênero, os homens precisam de novos modelos de masculinidade que os permitam sentir-se realizados na prática de condutas que o modelo masculino hegemônico proíbe. Investigações iniciais indicam que a adesão dos homens a todas estas características é fluida, muda durante o transcurso de suas vidas e varia segundo a personalidade.

Ainda que não a pratiquem em sua totalidade, a maioria do homens é cúmplice em sustentar o modelo de masculinidade hegemônica. Por exemplo, cada vez que um homem maltrata uma mulher, reafirma-se a mensagem que os homens têm poder sobre as mulheres: basta que alguns homens o façam para que todas as mulheres "recebam a mensagem".

O modelo hegemônico, "normal", de masculinidade é tão predominante que muitos crêem que as características e condutas associadas ao mesmo sejam "naturais". Na realidade, não existe uma única construção da masculinidade, existem masculinidades (ver mais adiante). A crença errônea de que a masculinidade é uma manifestação biológica válida estimula muita gente, em especial aos que têm mais interesse em conservar este paradigma. Ele leva-nos a tachar os homens cuja aparência física, inclinação sexual ou conduta não cumpram os requisitos estabelecidos como "biologicamente desencaminhados".

O perfil estereotipado do modelo apresenta os homens como ativos, fortes, capazes do trabalho físico árduo, produtivos, competitivos e orientados ao mundo externo; capazes de combater em guerras e penetrar o corpo de uma mulher. Os homens que não possuem o físico ideal são imediatamente considerados inferiores e, por isso, subordinados. Supondo-se – erroneamente – que estes papéis de gênero sejam universais e absolutos. Aqueles homens que não respondem a estas premissas são tachados como afeminados ou homossexuais . Desta maneira, os homens que não dão muita importância e/ou rechaçam essa masculinidade rígida encontram-se em situação precária e vêem-se constantemente ameaçados por aqueles que vivem de acordo com este modelo.

Poucos são os homens que podem estar à altura do modelo tradicional ao longo de suas vidas. As conseqüências de não chegarem a ser o modelo ideal são tão aterrorizantes que os homens pagam com má saúde e inclusive com a morte para demonstrar sua "macheza". Poucos repudiam o modelo hegemônico porque este lhes permite gozar de poder, tanto sobre as mulheres como sobre aqueles homens que são considerados "inferiores" por sua origem étnica, circunstâncias financeiras e/ou inclinação sexual. É muito provável que, mesmo em certos momentos, todo homem que não consiga qualificar-se em qualquer das maneiras da masculinidade predominante, veja a si próprio como incompleto, inferior, indigno de ser "homem" (Kimmel, 1996). O temor de muitos homens de não serem reconhecidos e aceitos como homens pode ser devastador, pois, desta forma, só lhes restariam duas possibilidades: serem vistos como mulheres ou como homossexuais e isto mantém a muitos afastados de um esforço consciente para desaprender o machismo.

 

Masculinidades

É importante abrir o espaço e considerar uma perspectiva de gênero em Saúde. O gênero é um dos suportes primários, junto à classe social e à raça/etnia, ao redor dos quais organiza-se a vida social. Raça, etnia, idade, classe social, orientação sexual, momentos históricos e região do país são fatores que influenciam nas diferentes definições de gênero. Por isso, em vez de usar uma definição de gênero monolítica e estereotipada , é mais apropriado falar de masculinidades e feminilidades.

 

Construção social do homem

As formas predominantes da masculinidade contemporânea centram-se, de alguma maneira, no poder e na possibilidade de exercer controle. A construção social do homem é, fundamentalmente, homossocial: implica numa constante auto-aprovação e aprovação dos outros homens (Kimmel, 1996; Korin, 1996; Grimberg, 199). Valdés e Olavarría (1998), entre outros, afirmam que as identidades masculinas se criam, em parte, no processo de individualização pelo qual passam os homens, num esforço para se definirem como seres diferentes de suas mães. Os papéis estritos de gênero são interiorizados e os homens aprendem a desprender-se das qualidades identificadas como femininas: passividade, debilidade, enfermidade, dependência, sensibilidade. O desejo e a capacidade de cuidar desaparecem durante a socialização do homem em um mundo em que esse modelo hegemônico faz questão de ter poder, autonomia, força, racionalidade e repressão das emoções.

Grimberg (1999) discute a necessidade dos homens de "provar e provar-se" sexualmente, privada e publicamente, para confirmar sua própria identidade masculina, e definir-se como "não-maricas". As vulnerabilidades principais são determinadas pela expectativa de uma masculinidade hegemônica estereotipada, que determina condutas de saúde prejudiciais e distorcem as relações entre gêneros.

Welsh assegura que a aceitação da homossexualidade em homens e mulheres, mais do que uma ameaça, humaniza as pessoas, e as liberta de temores, prejuízos e ações injustas que influem negativamente suas próprias vidas.

 

Aprendizado da masculinidade

A separação física e emocional entre homens e jovens e entre pai e filho torna mais difícil aprender o significado da masculinidade. Nas sociedades industrializadas, os homens aprendem a masculinidade, principalmente, de três maneiras: 1) pelos meios de comunicação, nos quais predominam três tipos de homens (desportista ultracompetitivo; homem violento ou criminoso; o alcoólatra ou drogadito). Com freqüência, os homens são caracterizados como agressivos, invulneráveis, insensíveis, emocionalmente fechados e negadores de sua saúde; 2) pelo grupo de amigos ou iguais e 3) por reação.

Os três métodos são perigosos e têm, em comum, a transmissão de uma imagem altamente estereotipada, distorcida e limitada da masculinidade. Potencialmente, o homem desenvolve uma atitude antagônica a respeito das mulheres, uma cultura anti-mulher na qual se humilha tudo que é relacionado com "feminino" ou "não-masculino".

Kaufman assinala que os homens confrontam experiências contraditórias de poder. Orientada para o domínio e controle dos "espaços masculinos" tradicionais (trabalho remunerado, economia e política), essa masculinidade exige que os homens neguem ou rejeitem todo o "não-masculino" e, com isto perdem um pouco de sua humanidade e de sua saúde no processo. 

 

Masculinidade e saúde

Em uma sociedade que equipara sucesso, poder e força como características especificamente masculinas, os homens ficam confusos entre duas categorias mutuamente excludentes: papéis masculinos e papéis femininos tradicionais. Se decidem realizar seu papel masculino prescrito, comportando-se de forma inexpressiva e competitiva, então suas necessidades psicológicas básicas ficam insatisfeitas. Com freqüência, isto resulta em condutas compensadoras, disfuncionais, agressivas e de risco, que predispõem os homens a doenças, lesões e morte, inclusive propiciando lesões graves nas pessoas que os rodeiam. Se forem satisfeitas as necessidades básicas, mas não as expectativas da sociedade, o homem pode terminar sendo considerado "pouco homem" pelos outros ou, inclusive, por si mesmo.

Harrison (1989) enfatizou que o conflito percebido e a dicotomia entre as necessidades psicológicas básicas de todo o ser humano e o papel masculino estereotipado podem resultar em riscos ao potencial de saúde dos homens e aumentar sua vulnerabilidade às doenças (se, por exemplo, os homens decidem ignorar sinais somáticos e não dão atenção à saúde).

Kimmel (1995) assinala que "os homens verdadeiros não ficam doentes e, quando isto sucede, eles não se queixam e não buscam ajuda até que a totalidade do sistema comece a se desmoronar". É muito comum que, em comparação com as mulheres, os homens careçam de relações íntimas e possuam menos recursos sociais. Os homens casados tendem a depender, de maneira exclusiva, de suas esposas como fonte única de apoio. Na realidade, para uma variedade de doenças, o matrimônio oferece maior proteção de saúde para os homens que para as mulheres.

Afora os fatores biológicos inerentes, a masculinidade e as condutas de gênero adquiridas são os fatores que mais causam impacto à saúde do homens (Kimmel, 1995). Além de constituir uma barreira maior, que bloqueia o acesso dos homens aos serviços de saúde, estes riscos e fatores coadjuvantes se refletem em:

– maior taxa de mortalidade para os homens em áreas como: doenças cardiovasculares e respiratórias, mortes violentas (inclusive acidentes, homicídios e suicídios), doenças hepáticas e câncer;
– vulnerabilidade crescente a certas enfermidades;
– respostas disfuncionais às doenças;
– deterioração da capacidade de recuperação das doenças.

Brooks e Silverstein (1995) expressam que a conseqüência deste "auto-abuso físico do homem adulto", em países industrializados, é a de que os homens têm uma expectativa de vida menor que as mulheres na ordem de sete a dez anos". Waldron (1976) calculou que três quartos da diferença da expectativa de vida entre homens e mulheres pode ser atribuída a condutas relacionadas com o gênero. Harrison, Chin & Ficcarrotto (1989) mostram que a aceitação do gênero masculino tradicional é perigosa para a saúde dos homens e isto explica a maior parte das diferenças de mortalidade entre homens e mulheres. Portanto, é importante identificar as implicações entre a forma de morrer e a maneira que os homens vivem.

Helgeson (1991) comprovou que os indivíduos suscetíveis a coronariopatias possuem redes sociais pobres, prestam menos atenção aos sentimentos e emoções de outras pessoas; não chegam a reconhecer indícios ou códigos sociais importantes; carecem de empatia; inibem sua expressão emocional e têm medo da homossexualidade (surpreendentemente, características muito similares aos da masculinidade tradicional). Mas, ainda assim, a carência de uma rede social adequada está associada a um aumento da mortalidade em coronariopatias e riscos de saúde adicionais durante a fase de recuperação.

Helman (1987) examinou detalhadamente o conteúdo moral da personalidade "tipo A", propensa a coronariopatias (individualista, ambicioso, competitivo, hostil, obcecado com o tempo) e falou que este modelo baseia-se em uma classificação binária de valores sociais do "tipo A" (mal) e do "tipo B" (bom). O indivíduo do "tipo A" é uma figura de moral ambígua que personifica muitas das contradições inerentes à sociedade industrial ocidental e sua conduta anti-social, sendo recompensado pela mesma sociedade, com dinheiro e status. Helman designa isto como uma "síndrome vinculada à cultura", particularmente, em homens de classe média, na metade da vida, nos quais, destas contradições sociais, ficam conseqüências tanto para a vítima como para a sociedade, com desenvolvimento da coronariopatia.

No trabalho, os homens encontram muitas circunstâncias e fatores que podem afetar sua saúde e o uso dos serviços de saúde: inconveniência de ter que faltar ao trabalho; potencial perda de rendimentos relacionados a ausências decorrentes de doenças; custo potencial em perdas de promoção e manutenção no emprego. Alem disso, vários outros fatores podem submeter o homem a um risco de doenças ou acidentes: ambiente de trabalho; riscos em tarefas perigosas; preocupações necessárias ignoradas; não-acatamento do uso de equipamento protetor ou medidas de segurança; estresse ocupacional; competência para conseguir avanços na carreira. A perda do trabalho e o desemprego também apresentam riscos de saúde especiais para os homens e suas famílias.

Diferentemente de outras áreas de suas vidas, os homens, com freqüência, assumem um papel dependente quanto à atenção de sua saúde (primeiro por suas mães e, logo, por suas esposas e companheiras). Os homens são muito pouco cuidadosos com sua saúde e, em suas interações com o sistema de saúde, muitos assumem uma fantasia de "carvalho maciço". Eles carecem da justificação, socialmente aceitável, que as mulheres têm em suas interações com os profissionais da saúde (são encorajadas a buscar a atenção da saúde preventiva em áreas como o planejamento familiar, prevenção do câncer e cuidado pré-natal) .

Não existem paralelos entre o enfoque de saúde das mulheres e dos homens, nem semelhanças na maneira de interatuar com o sistema de atenção à saúde. Sem importar as falhas nos modelos médicos de saúde e doença, esses modelos foram desenvolvidos por homens, e os profissionais homens estão submetidos às mesmas forças de socialização, no gênero masculino, que seus pacientes. Em geral, os homens interatuam com o sistema de saúde de forma episódica e por suas próprias doenças. Uma situação aguda leva a uma súbita perda de controle. Os homens sentem-se incômodos com a situação passiva e dependente do papel de doente e isto contribui para que ignorem sinais de alarme. Os problemas de saúde dos homens jovens da classe trabalhadora ou das minorias complicam-se ainda mais com trabalhos que apresentam alto nível de estresse; com o desemprego, a má alimentação, a falta de educação e o abuso de substâncias.

Os homens não discutem assuntos relacionados com a identidade do gênero, de maneira regular, com seus médicos; quando o fazem, estão interatuando com um grupo que, em grande parte, compartilha sua identidade como homens que se concentram em fazer retornar, o quanto antes, esses homens às funções de papéis normais ( quer dizer, as prescritas pela sociedade) e não tencionam moldar nem definir quais são essas funções.

Baseado na informação do Estudo Nacional de Adolescentes Homens (de 15 a 19 anos), realizado nos EUA, em 1988, Pleck (1994) correlacionou a associação de um aspecto da masculinidade que denominou "ideologia da masculinidade" (crenças sobre quem são os homens e como devem atuar) e a causalidade e persistência de condutas problemáticas de adolescentes masculinos em quatro áreas: problemas escolares, uso de drogas, delinqüência e atividade sexual.

 

Família e gênero

Intelectualmente, aceitamos os valores de igualdade, liberdade e autonomia; contudo, isto não se traduz em comportamentos e políticas congruentes. LaRossa (1989) mostra que a mudança dramática no papel dos pais, que foi vaticinado na década de 70, nunca ocorreu. Asturias sustenta que a prova mais contundente disto é encontrada em nossa própria casa, na forma que seguimos formando as filhas e os filhos. A autora mostra que mesmo reconhecendo-se algumas mudanças ocorridas desde então, uma grande porcentagem de filhos e filhas continua aprendendo, desde muito cedo, que "o mundo da mulher é a casa e a casa do homem é o mundo". Desconhecemos a verdadeira magnitude do dano ocasionado pelo rígido condicionamento que impomos às crianças.

Asturias disse que, segundo este esquema socialmente determinado, os filhos homens competem para ver quem é o mais forte e audaz, neste mundo que é sua casa; quem é o mais hábil e valente, o mais capaz de desafiar as normas estabelecidas (e "entrar na dele"). Desta maneira, aprendem a "ser homens". Afiança-se a masculinidade tal como a sociedade a percebe e prescreve: "os homens não choram"; "ser homem (macho) suficiente para..."

Ao contrário, as meninas não são induzidas a considerar-se "mulheres", mas a julgar-se "mães", e provendo-as dos instrumentos necessários – bonecas, panelas, ferro de passar roupa – que permitam desempenhar o papel que lhes é atribuído para o benefício da comunidade em seu conjunto: o de donas de casa, esposas e mães.

As escolas também têm um papel importante na construção da masculinidade. Nas escolas primárias, as mulheres constituem a maior porcentagem de professores. Muitos meninos, tanto quanto as meninas, passam pela educação primária sem ter um só homem como professor.

 

Envolvimento paterno

É necessário consolidar outro termo que reconheça a complexidade da natureza das funções, responsabilidades sociais, relações e interações complexas e superpostas que os pais desempenham. Distinguem-se cinco funções distintas: interação, disponibilidade, responsabilidade, socialização e o conceito de legado ou herança, que transcende o legal ou genético, distingue o envolvimento paterno da paternidade (biológica) e compreende todos os valores e condutas que se transmite às crianças.

Em muitos casos, pais e filhos compartem tempos muito curtos e em outros, lamentavelmente, o pai está ausente. Em certas ocasiões, isto se complica com o abuso do álcool e a violência masculina no lar, que agravam as deficiências na função afetiva do pai. Como resultado, os meninos têm, como modelos, aspectos muito limitados da conduta masculina e não podem verificar todo o espectro da masculinidade nem saber o que significa a diversidade de ser um "verdadeiro homem".

 

Envolvimento paterno e classe social

Bozett, Hanson Lamb y Pleck, entre outros, examinaram o efeito da classe social no envolvimento dos pais e acharam distinções conceituais em relação a: 1) interação (contato direto do pai com seus filhos mediante atividades compartilhadas e do cuidado das crianças; 2) disponibilidade (disponibilidade potencial do pai para a interação, dada pela presença ou acessibilidade às crianças, haja ou não interação direta) e 3) responsabilidade (papel que o pai toma para assegurar que as crianças estejam bem cuidadas e fazer com que os recursos estejam disponíveis para quem cuida das crianças, como por exemplo, marcando hora com o pediatra e assegurando que as crianças irão às consultas, determinando se necessitam de roupas novas, etc.).

Geca mostra que é muito mais provável que os pais participem na socialização das crianças (que resulta da combinação da interação com a disponibilidade) que na atenção às crianças (sendo responsáveis pelas crianças). Alguns achados contraditórios na literatura, sobre classe social e socialização, são devidos à falta de adequado interesse nas diferenças de comportamento.

O pai de classe média tende a estar mais envolvido com as crianças que os pais da classe trabalhadora. Em relação à disciplina, as diferenças de gênero são mais proeminentes que as diferenças de classe. Observa-se também que, nas classes trabalhadoras, os filhos homens são castigados fisicamente com maior freqüência.

Crowell y Leeper (1994) mostraram que, independentemente da classe social, raça ou etnia, os pais tocam, falam e passam mais tempo com as crianças menores (especialmente os primogênitos) que com as meninas pequenas. Ditos autores comprovaram que as diferenças encontram-se mais no contexto da interação (as mães dedicam mais tempo no cuidado, os pais concentram-se mais no brinquedo, em especial no brinquedo físico com seus filhos pequenos).

Não obstante, quando os filhos alcançam a idade de sete anos, a participação paterna é maior na classe média que na trabalhadora e permanece mais forte com os filhos homens que com as filhas. A maioria dos pais está ausente, trabalhando, ou física e emocionalmente. Apesar de toda a publicidade acerca do "novo pai", ainda é muito fácil para os homens cair em um papel tradicional de pai distante e não-envolvido com seus filhos.

 

Envolvimento paterno, etnia e cultura

Há muito tempo existem livros dirigidos aos pais; porém, o interesse dos cientistas sociais no envolvimento paterno é relativamente recente. A maioria das descrições deste envolvimento paterno estão cheios de conceitos teóricos ou metodológicos; por exemplo: dependiam, na maior parte, da esposa como informante; baseavam-se exclusivamente em grupos especiais (casos clínicos, minorias, presos e outros) ou confundiam as características sociais com as étnicas. Na realidade, muitos comportamentos de envolvimento paterno associados a uma cultura ou etnia particulares podem ser artifícios relacionados à pobreza.

Kimmel e Messner (1992) mostram que o gênero masculino varia de raça para raça e de cultura para cultura; muda à medida que o filho homem se desenvolve, amadurece e adquire seu lugar no mundo. Lazur e Majors (1995) indicam que, com freqüência, ignora-se os filhos homens das minorias e de grupos populacionais marginalizados. Eles precisam desenvolver todas suas capacidades para se manterem fiéis aos seus valores culturais, uma vez que lutam para adaptar-se às demandas da sociedade dominante.

Lazur e Majors (1995) argumentam que a experiência do homem das minorias implica num confronto entre a identidade étnica e as demandas da cultura popular. O poder, o êxito e mesmo a capacidade de poder prover a sua família ficam definidos dentro do contexto dos sistemas socioeconômicos, raciais e culturais dominantes. Para o homem das minorias, é crucial conciliar as identidades culturais e masculinas com os obstáculos sociais e econômicos.

Bozett e Hanson (1991) examinaram o envolvimento paterno em famílias e no contexto cultural. Lamb (1991) sustenta que não existe um "papel de pai" único que transcenda tempo, lugar e situação social. Os pais executam muitos papéis em suas famílias e a natureza e importância relativa destes papéis variam, historicamente dentro de uma mesma cultura e entre culturas diferentes, contextos urbanos e rurais, diferenças religiosas e organizacionais. Tripp-Reimer e Wilson (1991) indicam que esta diversidade estaria vinculada culturalmente às variações na estrutura social, tais como padrões de parentesco, estrutura familiar e sistema econômico.

 

Violência

As condutas dos homens podem ter profundo impacto na saúde e bem-estar geral de outros membros da família. Eles podem impedir o acesso a serviços de saúde de suas esposas ou companheiras, como sucede em alguns casos de violência doméstica. Também podem ignorar as necessidades de saúde de seus filhos (especialmente dos filhos homens e aqueles portadores de doenças crônicas como a asma), vendo-os como "fracos" ou "perdedores". Forçando-os a uma masculinidade estereotipada, transmitem a idéia de ter um filho "arruinado". Estas são outras formas de violência. Crowell e Leeper (1994) comprovaram que, independentemente da natureza ou do grau de incapacidade, os pais de tais filhos (em comparação com pais e filhos não atingidos) proporcionam, significativamente, menor apoio às mães e dedicam menos tempo recreativo aos filhos.

A violência intrafamiliar contra a mulher é mais uma das violações de direitos humanos mais prevalentes no mundo. Kivel (1992) mostra que "os homens violentos não surgem na vida repentinamente do nada. A transformação de um menino em um adulto violento ocupa muitos anos de treinamento. Isto inclui como se ensina aos filhos homens o respeito às mulheres, como se instrui a relacionar-se com outros meninos e com suas próprias tradições culturais e étnicas". É errado pensar que a violência é algo relacionado a uma "mentalidade" particular, a "significados" especiais, a um contexto de privação (comunidades pobres e marginalizadas), ou, ainda, a um aspecto cultural ou étnico (populações de minorias – Korin & Fagan, 1995).

Apesar de os homens, historicamente, terem exercido o poder físico, político e econômico sobre a mulher ou talvez em causa própria, os homens procuram mais poder para expressar sua masculinidade. Para alcançar e/ou manter sua posição de poder, com freqüência, recorrem à violência verbal, emocional ou física contra sua parceira, contra outros homens e, em casos extremos, contra si mesmos. Os homens derivam sua identidade do papel de provedores, produtores, protetores, o que lhes permite controlar e subordinar os outros, sejam membros de sua família (mulher e filhos), trabalhadores (que ganham menos) ou membros de sua comunidade (que estão subempregados ou desocupados).

Nem todos os homens são violentos, mas quase todos acabam influenciados pela violência. Esta influi na posição corporal adotada frente a outros homens, na percepção de outros homens, como falam com outros homens e como medem seu próprio valor. Todos vivemos com o conhecimento (e alguns, com medo) que em algum momento, tenhamos de brigar para provar quem somos (como homens). Quando se trata de violência, descreve-se o homem tradicional como duro, temerário e decidido, ao invés de justo e misericordioso. Na realidade, a maioria dos homens violentos não utiliza a imagem do "guerreiro nobre". Sua violência é essencialmente um meio de manter-se no controle – "se podes vencê-lo, podes dominá-lo, tratando-se de um país, outro homem, uma mulher, uma criança ou mesmo um cão". A violência do homem contra a mulher está centrada na necessidade de poder e controle do homem".

Welsh assegura que, enquanto os homens não mudam, o "núcleo familiar" na Nicarágua continuará sendo um mito: muitas mulheres seguirão sendo sobreviventes das guerras domésticas e muitas crianças continuarão crescendo em lares de pais violentos, autoritários ou simplesmente ausentes.

Kaufam descreve uma tríade de violência masculina para mostrar que, pelo menos em três sentidos, a masculinidade pode ser um fator de risco para os homens: 1) violência contra mulheres e crianças: representada pelo patriarcado, o machismo e a masculinidade hegemônica que determinam múltiplas formas de afetar a saúde e bem-estar das mulheres e das crianças; 2) violência contra outros homens: identificada pela alta taxa de homicídios; a homofobia; o autoritarismo, etc. e 3) auto-violência: inclui o suicídio e jogos que põem em risco a vida, condutas não saudáveis; compulsão ao trabalho.

 

Ações para o futuro

Na abordagem de obstáculos e resistências, importa reconhecer algumas das muitas dificuldades inerentes ao trabalho com filhos homens: desde a falta de espaços apropriados, enfoques predominantemente acusatórios, até as dificuldades de adaptar o homem num sistema de saúde que foi estabelecido para a mulher (saúde reprodutiva) e muitas outras mais. É crucial apoiar os homens a superarem os efeitos da masculinidade estereotipada, ao mesmo tempo que se deve desafiá-los a confrontar suas pautas de violência e abuso pessoal e comunitário contra mulheres, meninos, meninas e outros homens.

Weingarten (1995) mostra que olhamos através do que, convencionalmente, se aceita como "tal". Enfocamos os problemas através de uma tela invisível, evitando que nós vejamos, como membros de uma cultura, como homens, como mulheres e como terapeutas, o que está ausente. A autora, citando Foucault (1980), diz que devemos prestar igual atenção ao que está presente como ao que está ausente, o que é permitido ser visto e o que fica escondido ou invisível (e por quê).

 

Novos paradigmas

Já que a masculinidade se acha num estado de transição, nossa avaliação sobre o que conduz um homem a ser "exitoso" está atravessando importantes mudanças. Pede-se aos filhos homens que desenvolvam novas maneiras de relacionar-se com suas emoções, suas esposas/companheiras, seus filhos, seus trabalhos e com outros homens. Tais mudanças facilmente ocasionam confusão, desorientação, aborrecimentos. Neste caso, é importante encontrar outros homens que estejam enfrentando essas mudanças, para que juntos resistam às pressões para que se adaptem a uma masculinidade dominante e rígida, e para que se apóiem mutuamente no desenvolvimento de novas formas de ser homem, a fim de criar uma cultura de masculinidade mais sadia.

A igualdade de gêneros requer a definição de novos paradigmas que, diferentemente dos modelos atuais de masculinidade e feminilidade, não estejam predispostos a desigualdades e contribuam para um projeto mais amplo, o de eliminar a masculinidade hegemônica como o núcleo inquestionável, ao redor do qual gira a vida. Welsh descreve as experiências do Grupo de Homens contra a Violência na Nicarágua no trabalho de gênero, com e entre homens, realizado com indígenas, camponeses, jovens, professores, profissionais, técnicos, estudantes e promotores de saúde. Outros exemplos de ação na América Latina incluem a reunião sobre "Saúde reprodutiva e responsabilidade masculina" (Oaxaca, México, 1998) e a conferência regional de FLACSO, cobrindo o tema da " Igualdade de gênero na América Latina" (Santiago do Chile, 1998).

Fomentar modelos mais progressivos também significa adotar novos paradigmas de prestação de serviços. A investigação inicial sugere que os serviços que só buscam satisfazer o aspecto técnico racional de uma pessoa são inadequados. Estes devem ser ampliados para encarar as dimensões socioculturais e as estruturas de desigualdade que também influem sobre toda ação humana. Isto implica em capacitar os prestadores de serviço em todos os níveis.

Os papéis sexuais estereotipados nos profissionais e instituições de saúde representam barreiras adicionais para que os homens busquem e obtenham atenção à saúde integral. Por isso, é necessário posicionar-se como homens e cobrir as necessidades de saúde dos filhos homens (Korin, 1990). Reconhecer a centralidade do gênero não só em nossos pacientes, mas também em nós mesmos, como profissionais, tem implicações importantes para a prática clínica, a organização de serviços de saúde e as investigações (Korin, 1990; Korin & Fagan, 1995; Grimberg, 1999). Para compreender as experiências de nossos pacientes homens, devemos incluir sua masculinidade (e a nossa também).

Compartilho alguns pensamentos a respeito de passos concretos a serem tomados. Devemos compreender que não existem mapas que indiquem o caminho. Como o poeta da canção, "faz-se o caminho ao andar":

– Para poder definir novos paradigmas e propor modos de avançar, interessa determinar a maneira em que os velhos paradigmas da masculinidade foram criados e se multiplicaram. A prioridade é educar-se e informar-se a respeito da a importante contribuição de uma literatura crescente sobre uma ampla lista de assuntos dos homens contemporâneos: competição, famílias, envolvimento paterno, amizades, sexualidade, homofobia, política.

– Nós, pediatras homens, estamos tão influenciados pela construção social do gênero como nossos pacientes e suas famílias. Mesmo assim, podemos ajudar os pais na moldagem de seus filhos. Isto tem um enorme potencial para a prevenção primária de muitas das conseqüências da masculinidade tradicional. Com efeito, os pais são essenciais para a prevenção primária da violência doméstica: é o lugar onde o menino aprende o manejo dos conflitos e controvérsias. Com os adultos, pode-se realizar um trabalho preventivo ou de mudança, com os homens, partindo dos custos elevados que a desigualdade determina para o gênero masculino.

– Importa examinar de onde, como e quando se bloqueia, nos homens, certas capacidades humanas (por considerá-las femininas) e buscar as vias para o desmonte dessa alienação.

– Urge desenhar/criar novos espaços onde os homens possam evitar a reprodução automática de uma masculinidade alienada e tóxica, para poder revisá-la e discuti-la (grupos de homens, grupos interdisciplinares de profissionais homens ou mistos, etc.).

– Interessa fazer um exame crítico das investigações sobre o gênero. Por exemplo: questionar as afirmações de alguns autores que, baseados em estudos suspeitos, afirmam que as mulheres perpetuam tanta violência doméstica como os homens e que estes a sofrem tão freqüentemente como as mulheres. Ou, ao concentrar-se no envolvimento paterno, examinar os obstáculos que os homens enfrentam ao tratar de serem melhores pais. Como nas melhores investigações feministas, importa escutar a voz dos homens, estimulando-os a criar suas próprias narrativas.

Em conclusão, o homem deve começar a desaprender esta visão nociva do modelo masculino hegemônico, o que significa deixar de ser, fazer e pensar aquilo que tem a ver com inferioridade ou superioridade, inventadas em função do sexo de cada pessoa e impulsionado pela necessidade de poder e controle.

 

 


Abstract
The new perspectives about gender in discussed, now concentrated in the male, instead the female were the objective of discussion in the last decades. The concept of traditional masculinity has been the cause of suffering and instability of many men, including those of health problems. It is urgent the redefinition.
The concept of gender is made and his relation with health problems is marked out. The hegemonic masculinity and the social construction of the man, the knowledge of masculinity and his relation with health are described. The family and the gender, the new perspectives of paternity (paternhood) are considered. The actions for the future and the new approaches are defined.
Key words:
Adolesc Latinoam 2 (2); Adolescence and gender; the male adolescent, new concepts of maculinity


 

 

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* Daniel E. Korin es vicepresidente ejecutivo para Servicios Profesionales, Trinitas Hospital, New Jersey, EE.UU. Consultor para la OPS en Servicios de Salud para Adolescentes. Miembro de la Academia de Pediatría y de la American Men's Studies Association. Correo electrónico: dkorin@worldnet.att.net

 

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